Comumente o conceito de apropriação cultural é definido como “a adoção indevida de elementos específicos de um determinada cultura por membros de outra cultura". Mas não é tão simples assim, afinal é antropologicamaente confirmado que diferentes grupos sociais promovem intercambios culturais e isso é uma das formas de se promover o dinamismo da cultura.
Se a troca cultural entre povos aparece como parte de sua formação cultural em que momento ela se torna "apropriação cultural"?
Historicamente são muitos os povos que sofreram com a apropriação cultural, populações ameríndias e africanas são os exemplos mais notados, principalmemte durante a colonização europeia. Mas atualmente o debate que se levantou nas redes sociais envolve especialmente a população negra brasileira. É compreensivel que o tema cause tanta polêmica, afinal racismo no Brasil é um assunto espinhoso. No país da Democracia racial quem quer ser racista? E devemos isso ao modelo de formação social do brasileiro que buscou na falácia da democracia racial argumentos para negação e inferiozação da negritude e de tudo que deriva dela.
E isso tudo tem origem em argumentações construídas por teóricos reconhecidos mundialmente. Por exemplo, Hegel afirmava que a África era um continente sem História. Kant afirmava existir uma natureza distinta, essência, entre Brancos, Negros e Chineses que lhes reservava diferentes “regras de julgamento” que “preexistiam à suas experiências. Para Kant, essa “essência” diferenciada revelaria uma “natureza” limitada que impediria a pessoa negra de estabelecer qualquer distinção “acima do ridículo” enquanto entre o Branco, mesmo entre àqueles oriundos da plebe, poderia se observar a “força de dons excelentes”. Esses exemplos demostram que à constituição da sociedade moderna e da humanidade elegeram o homem branco europeu como expressão universal do gênero humano e representantes da razão. De acordo Deivison Mendes Faustino (2013), "O Branco se torna universal, mas “o Negro não é um Homem... é um homem negro”, uma mulher branca é apenas uma mulher, mas a negra é a "Mulher Negra". É possível pensar em música indígena, cabelo afro, cosmovisão africana, cultura negra, mas nunca em música branca, cultura branca. O branco, a cultura branca, ou ocidental, ganham status de universalidade e não precisam ser especificadas."
Se os elementos culturais produzidos por pessoas brancas tem carater universal isso reflete em notória visibilidade e aceitação social. Já o que é culturalmente produzido pela população negra só ganha destaque quando são embraquecidos, ou seja, são apresentados à sociedade por pessoas brancas. Por isso, a discussão sobre a apropriação cultural surge como um problema estrutural e que tem no racismo seu eixo central.
Neste sentido, é importante compreender que a apropriação cultural é perigosa pois retira o sentido cultural do elemento apropriado e o tranforma em mero objeto comercial, invisibilizando quem realmente produziu. Djamila Ribeiro (2016) problematiza muito bem o assunto: "Por que isso é um problema? Porque esvazia de sentido uma cultura com o propósito de mercantilização ao mesmo tempo em que exclui e invisibiliza quem produz. Essa apropriação cultural cínica não se transforma em respeito e em direitos na prática do dia-a-dia. Mulheres negras não passaram a ser tratadas com dignidade, por exemplo, porque o samba ganhou o status de símbolo nacional. E é extremamente importante apontar isso: falar sobre apropriação cultural significa apontar uma questão que envolve um apagamento de quem sempre foi inferiorizado e vê sua cultura ganhando proporções maiores, mas com outro protagonista."E é relevante lembrar que a apropriação cultural também atinge indígenas, quando por exemplo, tem sua arte vendida a preços altos em lojas elitizadas enquanto seus produtores sofrem silencimento do genocídio indigina promovido pelo Estado, mídia e agronegócio.
Por isso, quando se trata de racismo e apropriação cultural é extremente importante ser cuidadoso e não tratar um tema importante de forma tão simplista. Racismo é assunto sério e não deve ser reduzido a achismo e opniões pessoais.
Se a troca cultural entre povos aparece como parte de sua formação cultural em que momento ela se torna "apropriação cultural"?
Historicamente são muitos os povos que sofreram com a apropriação cultural, populações ameríndias e africanas são os exemplos mais notados, principalmemte durante a colonização europeia. Mas atualmente o debate que se levantou nas redes sociais envolve especialmente a população negra brasileira. É compreensivel que o tema cause tanta polêmica, afinal racismo no Brasil é um assunto espinhoso. No país da Democracia racial quem quer ser racista? E devemos isso ao modelo de formação social do brasileiro que buscou na falácia da democracia racial argumentos para negação e inferiozação da negritude e de tudo que deriva dela.
E isso tudo tem origem em argumentações construídas por teóricos reconhecidos mundialmente. Por exemplo, Hegel afirmava que a África era um continente sem História. Kant afirmava existir uma natureza distinta, essência, entre Brancos, Negros e Chineses que lhes reservava diferentes “regras de julgamento” que “preexistiam à suas experiências. Para Kant, essa “essência” diferenciada revelaria uma “natureza” limitada que impediria a pessoa negra de estabelecer qualquer distinção “acima do ridículo” enquanto entre o Branco, mesmo entre àqueles oriundos da plebe, poderia se observar a “força de dons excelentes”. Esses exemplos demostram que à constituição da sociedade moderna e da humanidade elegeram o homem branco europeu como expressão universal do gênero humano e representantes da razão. De acordo Deivison Mendes Faustino (2013), "O Branco se torna universal, mas “o Negro não é um Homem... é um homem negro”, uma mulher branca é apenas uma mulher, mas a negra é a "Mulher Negra". É possível pensar em música indígena, cabelo afro, cosmovisão africana, cultura negra, mas nunca em música branca, cultura branca. O branco, a cultura branca, ou ocidental, ganham status de universalidade e não precisam ser especificadas."
Se os elementos culturais produzidos por pessoas brancas tem carater universal isso reflete em notória visibilidade e aceitação social. Já o que é culturalmente produzido pela população negra só ganha destaque quando são embraquecidos, ou seja, são apresentados à sociedade por pessoas brancas. Por isso, a discussão sobre a apropriação cultural surge como um problema estrutural e que tem no racismo seu eixo central.
Neste sentido, é importante compreender que a apropriação cultural é perigosa pois retira o sentido cultural do elemento apropriado e o tranforma em mero objeto comercial, invisibilizando quem realmente produziu. Djamila Ribeiro (2016) problematiza muito bem o assunto: "Por que isso é um problema? Porque esvazia de sentido uma cultura com o propósito de mercantilização ao mesmo tempo em que exclui e invisibiliza quem produz. Essa apropriação cultural cínica não se transforma em respeito e em direitos na prática do dia-a-dia. Mulheres negras não passaram a ser tratadas com dignidade, por exemplo, porque o samba ganhou o status de símbolo nacional. E é extremamente importante apontar isso: falar sobre apropriação cultural significa apontar uma questão que envolve um apagamento de quem sempre foi inferiorizado e vê sua cultura ganhando proporções maiores, mas com outro protagonista."E é relevante lembrar que a apropriação cultural também atinge indígenas, quando por exemplo, tem sua arte vendida a preços altos em lojas elitizadas enquanto seus produtores sofrem silencimento do genocídio indigina promovido pelo Estado, mídia e agronegócio.
Por isso, quando se trata de racismo e apropriação cultural é extremente importante ser cuidadoso e não tratar um tema importante de forma tão simplista. Racismo é assunto sério e não deve ser reduzido a achismo e opniões pessoais.
Referências
"A emoção é negra, a razão é helênica? Considerações fanonianas sobre a (des)universalização do “Ser” negro". Deivison Mendes Faustino. 2013
"Apropriação cultural é um problema do sistema, não de indivíduos". Djamila Ribeiro. 2016
"A emoção é negra, a razão é helênica? Considerações fanonianas sobre a (des)universalização do “Ser” negro". Deivison Mendes Faustino. 2013
"Apropriação cultural é um problema do sistema, não de indivíduos". Djamila Ribeiro. 2016





