segunda-feira, 28 de agosto de 2017

Primeira Mulher Negra Engenheira do Brasil


Enedina Alves Marques, formou-se em Engenharia Civil em 1945 pela Universidade Federal do Paraná, e entrou para a história como a primeira mulher a se formar em engenharia no estado e a primeira engenheira negra do Brasil.
Nascida em Curitiba, Paraná, em 13 de janeiro de 1913, filha de Paulo Marques e Virgília Alves Marques. Nos anos 1920, Dona Duca, como era conhecida a mãe de Enedina, trabalhou para a família do delegado e major Domingos Nascimento Sobrinho, radicado na Rua Vital Brasil, esquina com a Rápida, no bairro Portão. A casa da família – um exemplar de madeira, com varandas e lambrequins – foi desmontada e transferida para o Juvevê e, hoje, abriga a sede regional do Instituto Histórico Iphan.
Enedina estudou colégios particulares, pago por Domingos para que ela fizesse companhia a sua filha. Então, entre 1925 e 1926, Enedina é alfabetizada na Escola Particular tocada pela professora Luiza Dorfmund. No ano seguinte, ingressou na Escola Normal, onde permanece até 1931. Entre 1932 e 1935, formou-se no curso Normal. Junto com Isabel, Enedina passa a trabalhar como professora no interior do estado. Atuou em cidades como Rio Negro, São Mateus do Sul, Cerro Azul, Campo Largo.
Em 1938, fez curso complementar em pré-Engenharia no Ginásio Paranaense, hoje Estadual do Paraná.
Em 1940, ingressou na Faculdade de Engenharia da Universidade do Paraná. Em 1945, Enedina Alves Marques se gradua em Engenharia Civil na mesma instituição, tornando-se a primeira mulher engenheira do Paraná e a primeira engenheira negra do Brasil. A formatura se deu no Palácio Avenida, tendo como paraninfo o professor João Moreira Garcez.
Antes dela, dois negros se formaram em Engenharia na instituição – Otávio Alencar (1918) e Nelson José da Rocha (1938).
Em 1981, Enedina é encontrada morta no Edifício Lido, no Centro de Curitiba, vítima de ataque cardíaco. Morreu sem família imediata e seu corpo demorou a ser encontrado.O Diário Popular, tabloide da época, a retratou de camisola levantada, como se fosse uma mera desconhecida, o que causou a indignação de membros do Instituto de Engenharia do Paraná. Após o caso, vários artigos ressaltando seus feitos pela engenharia foram publicados pela imprensa.
Em 2006, foi fundado o Instituto de Mulheres Negras Enedina Alves Marques, em Maringá.
Em 2014, o historiador baiano Jorge Luiz Santana defende, na Universidade Federal do Paraná, monografia sobre a vida e obra de Enedina Marques, sob orientação da pesquisadora Roseli Boschilia. No mesmo ano, uma campanha pela internet pedia que o Edifício Teixeira Soares, ex-RFFSA, adquirido pela UFPR, fosse renomeado em sua homenagem. Ao mesmo tempo, o historiador Sandro Luís Fernandes e o cineasta Paulo Munhoz iniciaram uma pesquisa para a confecção de um documentário sobre a vida de Enedina, projeto chamado A Engenheira, que, até 2015, estava estacionado por falta de investimento.

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