domingo, 18 de fevereiro de 2018

O verdadeiro Pantera Negra: A história de HUEY P. NEWTON


Huey P. Newton foi co-fundador e líder do Black Panther Party for Self-Defense (conhecido no Brasil como Panteras Negras). Huey, foi o mais novo de sete filhos, nasceu em Monroe, Louisiana, mas passou a maior parte de seus anos formativos em Oakland. Foi em Oakland que conheceu Bobby Seale enquanto frequentava o Merritt College.




Seale e Huey compartilhavam uma paixão por proteger e unir a comunidade negra e fundaram o Partido das Panteras Negras para a Autodefesa em 1966. Juntos, eles criaram uma Plataforma de 10 pontos para que o partido descreva suas crenças e ideais.

Tradução:
1- Queremos liberdade. Queremos o poder para determinar o destino de nossa Comunidade Negra; 2- Queremos emprego para nosso povo; 3-  Precisamos acabar com a exploração do homem branco na Comunidade Negra; 4- Nós queremos moradia, queremos um teto que seja adequado para abrigar seres humanos; 5- Nós queremos uma educação para nosso povo que exponha a verdadeira natureza da decadente sociedade Americana. Queremos uma educação que nos mostre a verdadeira história e a nossa importância e papel na atual sociedade americana; 6- Nós queremos que todos os homens negros sejam isentos do serviço militar; 7- Nós queremos o fim imediato da brutalidade policial e assassinato do povo preto; 8- Nós queremos a liberdade para todos os homens pretos mantidos em prisões e cadeias federais, estaduais e municipais; 9- Nós queremos que todas as pessoas pretas quando trazidos a julgamento sejam julgadas na corte por um júri de pares do seu grupo ou por pessoas de suas comunidades pretas, como definido pela Constituição dos Estados Unidos; 10- Nós queremos terra, pão, moradia, educação, roupas, justiça e paz. E como nosso objetivo político principal, um plebiscito supervisionado pelas Nações-Unidas a ser realizado em toda a colônia preta no qual só serão permitidos aos pretos, vítimas do projeto colonial, participar, com a finalidade de determinar a vontade do povo preto a respeito de seu destino nacional.

Huey obteve um Ph.D. em filosofia social, e seu conhecimento da legislação estadunidense ajudou muito o Black Panters Party (Partido Panteras Negras) em sua abordagem de mudanças sociais e políticas. As mobilizações organizadas pelo movimento passaram a criar inúmeras iniciativas da comunidade para progredir a comunidade negra, incluindo o programa de Café da manhã livre para crianças, programas de saúde gratuita e programas de ajuda e educação judiciária.



Essas atividades colocaram o partido no centro de preocupação do governo estadunidese e rotulado como "a maior ameaça à segurança interna do país" por J. Edgar Hoover, diretor do FBI na época. Em 1967, Newton foi preso por supostamente matar um policial de Oakland e mais tarde foi condenado a 15 anos de prisão. A comunidade lutou contra sua prisão e "Free Huey" tornou-se um slogan extremamente popular. Huey finalmente foi libertado após dois retriais.


Em 22 de agosto de 1989, Huey P. Newton foi baleado em Oakland por Tyrone Robinson, membro da família Black Guerrilla. Suas últimas palavras foram: "Você pode matar meu corpo, e você pode tirar minha vida, mas você nunca pode matar minha alma. Minha alma viverá para sempre! "

Fonte: http://www.vashtie.com/blog/culture-memory-huey-p-newton/

Viola Davis escancara a desigualdade salarial entre atrizes brancas e negras

Uma das atrizes americanas mais queridas no Brasil, por causa do protagonismo na série How to Get Away With Murder, Viola Davis falou abertamente sobre as desigualdades entre atrizes brancas e negras. 




A atriz Viola Davis atraiu suspiros e aplausos da platéia durante uma entrevista eletrizante em Los Angeles na noite de terça-feira 13/02/2018. Em uma poderosa conversa com a diretora executiva da Women in the World, Tina Brown, Davis falou desde sua infância difícil, até de suas experiências em Hollywood como mulher negra. A atriz não poupou palavras para denunciar a situação de vulnerabilidade de sua carreira de sucesso. Mesmo agora, com uma carreira de 30 anos e muitos trabalhos reconhecidos, incluindo os prêmios Emmy, Tony e Academy Awards, ela compartilhou que ainda se encontra "empolgada" pela discussão sobre igualdade de salários e de distribuição de papéis importantes no cinema.

Viola tocou em assuntos desconfortáveis para todas em Hollywood:

"Tenho uma carreira que é provavelmente comparável às de Meryl Streep, Julianne Moore e Sigourney Weaver. Elas vieram de Yale, vieram da Julliard, vieram da NYU. Elas trilharam o mesmo caminho que eu e, ainda assim, não estou nem perto delas. Nem em relação ao dinheiro e nem em relação às oportunidades de trabalho, nada perto." Observou a atriz de 52 anos, em uma vigorosa análise das desigualdades experimentadas por mulheres negras em Hollywood.

"As pessoas dizem, 'Você é a Meryl Streep negra. Nós te amamos. Não há ninguém como você'.  Ok, então se não há ninguém como eu, que me paguem o que eu mereço receber", disse ela, provocando um suspiro audível dos mais de 200 participantes do salão no Neuehouse Hollywood.



                                     
Davis argumentou:

"E isso precisa se estender a ofertas de papéis substanciais, também. Como artista, eu quero construir o ser humano mais complexo, mas o que eu recebo é a terceira garota da esquerda". Quando Tina Brown perguntou sobre sua participação limitada no filme Doubt (em português "A Dúvida"), de 2008, para o qual ela ganhou uma melhor indicação de atriz coadjuvante, Davis disse que seus dias de entusiasmo para provar o melhor de si mesma acabaram.

Davis citou Shonda Rhimes, famosa roteirista, cineasta e produtora de séries norte-americanas, entre elas:  Grey's Anatomy, Scandal, How to Get Away With Murder. 

"Eu sempre menciono o que Shonda Rhimes disse quando obteve o Prêmio Norman Lear nos Prêmios de Guildas dos Produtores há cerca de dois ou três anos". "Ela levantou e ela disse: 'Aceito este prêmio porque acredito que eu mereço isso. Porque quando eu ando pela sala e me pergunto o que eu quero, eu espero obtê-lo. E é por isso que eu acredito que mereço este prêmio. Porque Norman Lear foi um pioneiro, e eu também. "E isso é revolucionário como uma mulher, mas é duplamente revolucionário como uma mulher negra. Porque temos andado no vagão do trem - nós realmente temos. E é tempo de isso. "

Davis também lembrou de sua infância, disse que foi criada em situação de extrema pobreza em Rhode Island, por um pai alcoólatra que ela testemunhava abusar de sua mãe.

"Eu era um degrau a menos do que pobre", ela disse, descrevendo sua casa, na infância: "infestada de ratos, indo à escola com fome, fedendo e coberta de vergonha. "As pessoas vêem a pobreza como apenas um estado financeiro", disse ela. "A pobreza se infiltra em sua mente, ela se infiltra no seu espírito, porque tem efeitos colaterais".


"Essa experiência de sentir-se "invisível" e traumatizada é o cerne do seu compromisso de falar para aqueles que não conseguem falar por si mesmos", disse ela, incluindo um discurso emocionante realizado na Marcha das Mulheres de 20 de janeiro de 2018, em LA, sobre mulheres negras: "as mulheres que não têm dinheiro e não têm a Constituição, não têm a confiança e nem as imagens em nossa mídia que lhes inspirem uma sensação de auto-estima o suficiente para quebrar seu silêncio que está enraizado."

Viola encerrou dizendo que:

"Me custou muito estar nesse palco e compartilhar minha história pessoal", "O modo como a vida funciona é que você precisa custar-lhe algo. É quando você sabe que você realmente fez os sacrifícios."Se você está dedicado a mudar, deixe-o custar-lhe algo".

Não é de hoje que as mulheres negras denunciam as desigualdades entre brancas e negras. A disparidade salarial é só a ponta do Iceberg. Ainda há muita resistência em perceber que a opressão de gênero  une mulheres brancas e negras, mas o racismo nos separa. AS palavras de Viola nos inspiram a prosseguir resistindo.


Negras na História: Você conhece Tia Eva?


Eva Maria de Jesus, Tia Eva.
Grande referência negra do Estado de Mato Grosso do Sul, foi fundadora da Comunidade Quilombola Eva Maria de Jesus, também conhecida como Comunidade Negra Tia Eva ou Comunidade da Igrejinha de São Benedito.
Eva nasceu em 1848 na fazenda Ariranha, em Jataí, Goiás. Escravizada, desde cedo, para os afazeres domésticos, Tia Eva desempenhou várias funções na casa grande da fazenda. Ainda jovem assumiu os serviços na cozinha onde sua função principal era fazer doces.
Eva cresceu em meio aos maus tratos e abusos sexuais recorrentes no período escravista. Eva foi casada 2 vezes e nos anos de 1870, aos 22 anos, deu à luz a sua primeira filha chamada Sebastiana. Posteriormente, nasceram Joana e Lazara, todas as três filhas de diferentes homens. Segundo Waldemar Bento de Arruda, 90 anos, filho do escravizado Generoso Bento de Arruda, contemporâneo de Eva: “As filhas de tia Eva eram Dona Sebastiana, a Lazara e a Joana, todas nasceram no cativeiro, e elas eram filhas de pais diferentes. Tinha uma que era clara e outra escura. Isso acontecia naquela época, eram essas coisas”.
Um dia ao fazer doce, Eva deixou por acidente cair em sua perna uma panela de banha quente. Como afirma Waldemar Bento de Arruda, “E caiu banha quente na perna dela, da Tia Eva. Então ela ficou com aquele queimado sem cicatrizar, e ficou com mau cheiro a perna dela, porque eles eram muito enjoados, então ela ficou trabalhando fazendo sabão. Aí fizeram um ranchinho para ela lá no fundo do quintal da casa da fazenda.”
Segundo relatos, Eva contava aos seus descendentes histórias de sofrimento de seu cativeiro. Contava que em uma tarde, enquanto ela fazia sabão, o patrão, almoçava e depois cochilava. Havia uma preta que era muito estimada, o menino dela ficou doente e começou a chorar. O Senhor dela falou: Olha eu vou dar fim nesse menino, esse menino está muito manhoso dê um jeito nele! Quando eu estiver deitado dormindo eu não quero ouvir o choro desse negrinho! E a mãe do menino vivia ocupada no serviço. Mas teve um dia que o menino chorou e gritou: Mãe! Ele estava com gripe. O senhor levantou e mandou ela pegar o menino. Ela pegou o menino e ele pegou um chicote e falou com ela: Você me acompanha. Ela pegou o menino que chorava muito. Foram até o córrego. Ao chegar lá ele falou: Você pega esse negrinho e joga no córrego, não quero ouvir mais o choro desse negrinho. Ela abraçou o filho e se jogou no córrego junto com o menino, morreu ela e o menino. Aí o homem voltou sem graça para casa.
Eva nunca aceitou o sofrimento e a escravidão. Cansada de padecer com a violência, sempre pedia ajuda a São Benedito, que era muito devota. Ela pedia por um lugar onde pudessem viver em paz, longe da servidão, fazer sua casa, sua farinha, um lugar calmo para ela e todos que eram massacrados pela escravidão. Isso não demorou muito para acontecer.
Como sempre foi muito religiosa, Eva logo se tornou conhecida como rezadeira da Região. Com o passar dos anos, sua fama foi longe. Ela começou a ser conhecida como “Tia Eva” gerando uma clientela que a procurava em busca de tratamento para diversos males.
No ano de 1887, aos 49 anos, Tia Eva obteve sua carta de alforria, mas isso não significou melhora para a sua situação. Em 1888, com a promulgação da lei áurea, chegou ao fim a escravidão no Brasil, mas isso ficou só no papel. A promulgação da lei não trouxe melhoria na condição de vida da população negra. As fazendas continuaram a se manter com formas de exploração semelhantes ao período da escravidão. Tia Eva não podia deixar a fazenda, não tinha nada de valor comercial, nunca recebeu pagamento, estava estagnada, com uma queimadura na perna que não cicatrizava e com três filhas para criar.
Mesmo assim ela não desistiu da vontade de deixar aquela situação. Tia Eva continuou a trabalhar e a benzer os males de todos aqueles que a procuravam. Como agradecimento pelas as rezas e curas que promovia, começou a receber pequenos presentes ( bois, galinha e porco). Após curar a filha de um renomado fazendeiro, Tia Eva recebeu como agradecimento 4 bois e uma carreta. Com esses presentes Tia Eva poderia realizar seu sonho, deixar a fazenda Ariranha.
No ano de 1904, tia Eva iniciou os preparativos para a viagem e juntou-se com um grupo de negros de Uberaba que estavam migrando para o Mato Grosso. Esse grupo era composto por Maria Antônia, nascida na África, acompanhada de seus filhos Jerônimo Antônio Vida da Silva, Luís José da Silva e Maria Antônia de Jesus, que estava com seu esposo Custódio Antônio Nortório; José da Silva; Domingos Francisco Borges com sua esposa Maria Rita de Jesus; Dionísio Antônio Martins e sua esposa Luíza Joana Generosa de Jesus.
O grupo veio junto até Campo Grande, a viagem durou alguns meses, pois o transporte da comitiva era de carros de boi e no meio do caminho eles tinham que parar fazer roças em troca de alimentação da comitiva e até arrumavam serviços esporádicos. Homens roçando e amassando bois e as mulheres lavando roupa e faxina. Nada era fácil.
Ao tentarem cruzar os limites do Estado de Goiás para o Mato Grosso, foram obrigados a parar num Posto de Fiscalização para serem cadastrados. Porém, vários deles não possuíam sobrenomes e precisaram inventá-los. Os homens do grupo assumiram os sobrenomes de: Borges, Custódio, Silva, Martins, Souza e Pinto. Tia Eva, suas filhas e outras mulheres assumiram o sobrenome De Jesus.
No caminho para Campo Grande, na época conhecida Campo de Vacarias/MT, Tia Eva, ainda com a ferida na perna que não cicatrizava, fez uma promessa a São Benedito que se caso ele a curasse, construiria no lugar de moradia, uma igreja em homenagem ao santo. Em 1905, Tia Eva fundou sua tão sonhada Comunidade Negra. Em 1906, foi fundada a igrejinha de São Benedito, segunda igreja erigida na capital. Por causa dela, o lugar logo passou a ser conhecido em Campo Grande como São Benedito.
Depois de instalada, Tia Eva atuava como uma espécie de médica da comunidade. Sabia ler e escrever, o que fez ser procurada por inúmeras pessoas, tornou-se referência na comunidade, o que lhe proporcionou certo benefício financeiro. Até que em 1910 adquiriu uma terra de oito hectares que lhe custou 85 mil réis.
A história da Tia Eva reafirma a coragem e força das mulheres negras. Sua trajetória é exemplo de luta pela liberdade. Tia Eva se tornou ícone da resistência negra. Falar da história da Tia Eva é dar voz a contribuição negra na formação da capital campo-grandense. Contar sobre seus feitos é recontar a história das mulheres negras e do Estado de Mato Grosso do Sul.
Viva Eva Maria de Jesus! Viva Tia Eva!

quarta-feira, 14 de fevereiro de 2018

Raio Negro DC - Série Netflix


Raio Negro estreou na Netflix no dia 16 de janeiro deste ano. E logo no primeiro episódio fica evidente que o super herói enfrentará o racismo como principal vilão. Ao contrário das outras séries já lançadas com super heróis da DC, Raio Negro tem elenco predominantemente negro. Além de iniciar contanto a história do protagonista pela sua aposentadoria. 
Raio Negro mostra a trajetória de um herói que escolheu a educação como meio de transformação de sua realidade. A série ainda está no começo, e é necessário aguardar para perceber como será desenvolvida a questão de gênero e sexualidade, mas já vale apena começar a assistir. 

Origem
Raio Negro é um dos primeiros heróis negros da DC Comics. Sua história se passa em Metrópoles, mesma cidade do Superman. E estreou nos quadrinhos em 1977, se tornando o primeiro herói negro a ter um título próprio na DC.


Lélia Gonzalez - Cultura, Etnicidade e Trabalho: efeitos linguísticos e políticos da exploração da Mulher.pdf

Artigo trata sobre a "super exploração" que recae sobre as mulheres negras, principalmente as mais pobres.  O texto se torna uma importante contribuição para o debate sobre a intersecção das opressões de raça, classe e gênero. A publicação foi apresentada durante o 8º Encontro Nacional da Latin American Studies Association Pittsburgh. O encontro aconteceu entre os dias 5 a 7 de abril de 1979.

 Segue um trecho da obra:

"O processo de exclusão da mulher negra é patenteado, em termos de sociedade brasileira, pelos dois papéis sociais que lhe são atribuídos: “domésticas” ou “mulatas”. O termo “doméstica” abrange uma série de atividades que marcam seu “lugar natural”: empregada doméstica, merendeira na rede escolar, servente nos supermercados, na rede hospitalar, etc.. Já o termo “mulata” implica na forma mais sofisticada de reificação: ela é nomeada “produto de exportação”, ou seja, objeto a ser consumido pelos turistas e pelos nacionais burgueses."

Lélia Gonzalez, 1979.

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Boa leitura.

Clique aqui: Lélia Gonzalez-Cultura, Etnicidade e trabalho: efeitos linguísticos e Políticas da exploração da mulher-pdf



Lélia Gonzalez - Livro: Lugar de Negro.pdf

Lélia Gonzalez é a representação prática da forte influência que as mulheres negras exerceram na retomada dos movimentos sociais, na década de 1970.  Mulher, negra, de origem pobre, militante, Professora de Antropologia e Cultura Popular Brasileira. Licenciada em Filosofia e História, mestre em Comunicação. Lélia é referência brasileira no debate sobre interseccionalidade.  A obra  "Lugar do negro" é de grande relevância para todas as pessoas que desejam compreender a realidade racial brasileira.

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Boa leitura.

Clique aqui: Livro: Lugar de Negro pdf